O brasão e a bandeira de Boa Esperança do Norte
Sob a Estrela do Dever
Projeto de autoria de Marcelo Yamagata, tabelião e oficial titular desta serventia. Vencedor do concurso instituído pelo Edital nº 030/2025 do Município de Boa Esperança do Norte.
A estrela de oito pontas que abre a página inicial deste site é a mesma que está no escudo do Município. Não é coincidência de ornamento: o brasão de Boa Esperança do Norte foi desenhado pelo titular desta serventia e escolhido, em votação aberta, pelos moradores da cidade. Esta página conta como o projeto nasceu, o que cada peça significa e coloca à disposição de todos os arquivos oficiais, para que quem precise reproduzir os símbolos o faça a partir da fonte certa.
1. O chamamento público
Boa Esperança do Norte foi por muitos anos distrito, e a emancipação, reconhecida em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal, deixou o Município sem os símbolos que a lei lhe exige. Para supri-los, a Prefeitura Municipal, com o apoio institucional da Câmara de Vereadores, instituiu concurso cultural destinado à escolha do brasão, da bandeira e do hino oficiais, na forma da Lei Municipal nº 51/2025.
Podia concorrer qualquer cidadão residente no Município, a partir dos doze anos de idade, de forma individual e gratuita. O prazo de inscrição correu de 3 de julho a 20 de agosto de 2025, com entrega dos trabalhos em envelope lacrado, protocolado na sede da Prefeitura, acompanhados de memória descritiva e justificativa simbólica. Uma comissão técnica de seis membros, formada por representantes da educação, da cultura, das artes visuais, da história, da música e de um convidado de notório saber, avaliou as propostas e selecionou três finalistas por categoria.
A palavra final, porém, não coube à comissão. Coube à cidade.
2. A escolha pelos moradores
Os trabalhos finalistas foram apresentados em audiência pública, em que cada autor teve de expor e justificar a própria proposta diante do público. A votação foi aberta, presencial e registrada em ata, com fiscalização da Câmara Municipal. O projeto mais votado em cada categoria tornou-se o símbolo oficial do Município.
de escolha
projeto vencedor
O resultado é o que dá autoridade a este brasão. Um símbolo municipal não vale pelo desenho, mas pelo reconhecimento: é preciso que a população se veja nele. Quatro em cada cinco presentes reconheceram, naquele escudo, a própria cidade.
A campanha que antecedeu a votação foi feita sem custo público, por meio de material impresso e de vídeos de convocação divulgados em rede social, com explicação acessível de cada peça do brasão, para que ninguém votasse sem entender no que votava.
3. A tradição adotada
O projeto não partiu do gosto pessoal. Adotou, como referência técnica, a tradição da heráldica autárquica portuguesa, de que descende a heráldica municipal brasileira. Essa tradição fixa um vocabulário formal, escudo de ponta redonda encimado por coroa mural e sotoposto a listel, e impõe critérios de simplicidade, univocidade, genuinidade, estilização, proporção e regra da iluminura, que manda pôr metal sobre cor e cor sobre metal. São regras que existem para que o símbolo seja claro à distância, distinto de todos os outros e capaz de durar.
No sistema lusitano, a coroa mural informa a categoria da entidade pelo número de torreões. Daí a coroa de prata de cinco torres: sinal gráfico do grau máximo de autonomia, próprio de quem já é Município, e não mais distrito.
4. O blasonamento
A descrição heráldica oficial, tal como consta da memória descritiva apresentada ao concurso, é a seguinte:
O texto integral da memória descritiva, com as notas de aplicação e a justificativa simbólica completa, está entre os arquivos disponíveis ao fim desta página.
5. O que cada peça significa
O conjunto afirma, em linguagem clássica, a vocação de um povo que se orienta pelo alto, trabalha a terra com dignidade e conserva firme esperança.
- A estrela de oito pontasÉ a esperança que guia e ordena, e responde ao próprio nome da cidade. As oito pontas recordam as Bem-aventuranças, isto é, os oito ensinamentos sobre o caminho de uma vida justa; o chamado oitavo dia, expressão clássica do recomeço e da vida nova que ultrapassa o ciclo de sete dias; e as oito direções do horizonte, sinal de abertura universal. Mesmo para quem não professa a fé cristã, a estrela comunica valores humanos e cívicos: luz, renovação e orientação segura do trabalho comum.
- O campo azulCor do firmamento e da fidelidade, exprime justiça e constância. No plano geográfico, alude às águas do Rio Teles Pires e aos demais cursos que estruturam o território, e que moldam a paisagem, a economia e o cotidiano da comunidade.
- A aspaOs quatro ramos se cruzam em aspa, na forma da cruz de Santo André, sinal de serviço humilde e de cooperação entre esforços distintos. A sua duplicidade rememora as dificuldades da emancipação: a lei veio primeiro e, somente anos depois, sobreveio o reconhecimento formal pelo Supremo Tribunal Federal.
- A soja e o milhoA soja representa a competência técnica e a disciplina do cultivo. O milho, o sustento e a abundância ordenada, com a granagem dourada como fruto do trabalho honesto.
- A oliveira e o carvalhoA oliveira significa mérito e vitória pacífica, coroa de excelência alcançada por constância, e evoca a origem italiana dos primeiros colonizadores. O carvalho, fortaleza, longevidade e raízes, recorda a origem alemã, cuja resistência e organização moldaram a comunidade.
- A coroa mural de cinco torresEm prata pedrada, proclama a dignidade cívica e a autoridade legítima. No paradigma luso-brasileiro adotado, cinco torreões assinalam o patamar máximo de autonomia municipal.
- O listel e a divisaO lema FIDES LABOR SPES estabelece a ordem dos bens: a fé ilumina e funda; o trabalho, ao centro, santifica o cotidiano, modela a cidade e sustenta as famílias; a esperança persevera nas provações e orienta o esforço a fins superiores.
A unidade do desenho mantém a hierarquia clássica entre metais e esmaltes, sem elementos supérfluos: a estrela ordena, a aspa sustém e os ramos traduzem virtudes cívicas, competência, providência, mérito e fortaleza, de que nasce a colheita justa do bem comum.
6. A paleta normativa
As cores do brasão não são de escolha livre de quem o reproduz. A memória descritiva fixa cada uma delas, e a reprodução fiel é condição da identidade do símbolo. O azul do escudo, em especial, deve ser reproduzido exatamente no valor indicado.
- Campo do escudo
#02374F - Estrela, ouro
#E6B407 - Oliveira, ouro
#DEA91E - Grãos do milho
#B59E47 - Sinople
#193626 - Hastes, tenné
#655D41 - Coroa, prata pedrada
#A69B85 - Listel, prata clara
#FAF3E9 - Contornos e lema
#222214
Os metais ouro e prata preservam brilho apenas por meios gráficos, sem alteração do matiz base. Variações de impressão devem respeitar diferença cromática reduzida, mantendo a legibilidade do lema e a distinção nítida entre metais e esmaltes.
7. A bandeira
A bandeira, de mesma autoria e igualmente escolhida no chamamento público, traduz em linguagem vexilológica a ideia-matriz do brasão. O campo é de azul-petróleo pleno, no mesmo valor do escudo. Junto ao mastro, uma cunha de prata formada por triângulo isósceles cuja base coincide com a tralha e cujo vértice está no centro geométrico do pano. Desse vértice parte, pelo eixo horizontal, faixa de prata de largura equivalente a um sexto da altura, que alcança o batente externo. Sobre a cunha assentam as armas municipais completas. O reverso é idêntico.
A cunha branca junto ao mastro simboliza o compromisso de quem hasteia o pavilhão: o dever entra pela tralha e organiza o campo. Do seu vértice desdobra-se a faixa, caminho de retidão e transparência, que atravessa o pano até o batente e indica continuidade institucional e paz social. A barra clara pode ser lida, ainda, como representação estilizada do curso principal que atravessa o território. As armas, ao centro do movimento, afirmam que a autoridade municipal se coloca sob a estrela e ao serviço do bem comum.
8. Arquivos oficiais para download
Ao inscrever-se no concurso, o autor cedeu gratuitamente ao Município os direitos autorais patrimoniais da obra, para uso institucional, permanente e irrestrito, na forma do item 8.1 do edital. Os arquivos ficam aqui disponíveis para que escolas, entidades, servidores e moradores reproduzam os símbolos a partir da fonte correta, e não de cópias degradadas.
Os formatos vetoriais não perdem qualidade em nenhuma ampliação, e são os indicados para placas, fachadas, uniformes e impressão gráfica. O PNG serve ao uso comum em documentos e apresentações.
Brasão
- PDF vetorial771 KB · gráfica
- Adobe IllustratorAI · 1,7 MB
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- Versão P&BPDF vetorial · 151 KB
- Versão em relevoPNG · 1024 px · fundo transparente
Bandeira
- PDF vetorial743 KB · gráfica
- Adobe IllustratorAI · 1,7 MB
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Documentos e pacote completo
- Memória descritivaPDF · texto integral
- Baixar tudoZIP · 13 MB
- Manual de identidade visualPrefeitura Municipal · nova aba
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